terça-feira, 26 de fevereiro de 2008


Onde está seu rosto para meu beijo?

Sem se ver o toque fugídio das penas
quase cálidas de vida na minha vida

Estou a mercê da sua ventania.

quinta-feira, 31 de janeiro de 2008

Colombina


Ela que só via os confetes colorirem o ar

a correr como menina atrás do bloco.


Só abria sorrisos no carnaval...


(Sabia que nesses dias, as pessoas eram felizes

se entregavam umas as outras que chegavam

até perto do viver, da vida)


No efêmero cheiro da brilhantina e dos alcooides

joravam dinate a presença vivaz,


As máscaras do pierrot e do arlequim...

Que se completam formando

o que ela era unicamente.


Precisava dos dois pra se ver

entre serpentinas nas matinés

entre rodopios corporeos de ambas as danças

entre o amor triste, entre o amor alegre

entre o amar.


Ela só abria seus mistérios no carnaval...

segunda-feira, 28 de janeiro de 2008

O que achei sobre a Saudade.


Desprende-se de mim num suspiro cálido...


Leva-me tudo!


A vida azul turqueza , esbranquisada dos meus acalentos longos,

o resíduo fresco da alegria pouca e da ternura exorbitante

aos meus traços,


Recolhendo-me todas as borboletas...


Todo o tempo do vento que gostava só de ver passar

pingando no meu dorso opaco, o retorno das águas fluidas em tristeza

Eque agora, diante de uma face constante

Existe uma louca, demente de procura sem cor

(Minha vida em dor)


Meu Deus, protegei-me,

(sua filha oscilante e dispersa no mar).

Faça com que retornes

Não a carne ou a presença amada

Peço-lhe a volta de algo que não tem nome,

que nunca tive, que talvez não caiba na poesia


E eu por falta de dias e palavras

prefiro chamar de sonhos.

domingo, 20 de janeiro de 2008

Amor único


Faça-me um café, meu bem.


O abismo, gotas de quimera em rastros pequenos de solidão,

me faz querer algo forte que me lembre o campo, o seu cheiro...

(é, esse mesmo!)

tão tenro que expande seu corpo até na escuridão contendo sua fala,

entrelinhas da mesmice de suas traições, defeitos chulos!


É isso e muito mais, o que não se deve contar...

O meu tormento noturno que cambaleia, tropêgo ao afeto atroz

me buscando em cada pedaço de mim!

Doe até a ferida não se haver mais de tristeza sondada...

(Ainda me buscas mais, me rondas mais).

Em todas as minhas faces, você há de passar.


Não suporto tudo isso! (é muito).

Ei de dormir, meu amor...

Depois deite aqui ao meu lado e não esqueça de deixar as luzes acessas,

por favor! Não gosto e eu já devo ter dito que não gosto da escuridão.

Boa noite.

Te amo.

quinta-feira, 17 de janeiro de 2008

Vale do desalento

_Destranco a trinca do céu
Abro-me
debruço os braços na janela a suspirar....

O vento está a ventar
Nas ilhas da brancura suprema...
e é só em suas margens
que mostro-me coberta de palavras.

Para minha nudez tímida
tenho mantos de afago.
Pra minha simples ternura
ainda guardo um agasalho...
(Naquele velho armário)

Sou toda de pele morena
de sol brasileiro
mas cá fico tomada de clara essencia corada.
Quando em suma escrita
os punhos, os dedos
sulgam do papel e da tinta
O verso prosiado por desígnios do mar...

_Fecho a janela do meu vilarejo
A lua ainda me fita em madrugada.